Intervenção ativa para pacientes com Diabetes Mellitus e o impacto sobre a adesão ao tratamento farmacológico acompanhados em uma unidade de saúde da família

Resumo: O diabetes mellitus (DM) compreende um grupo de distúrbios metabólicos de etiologia heterogênea, caracterizado por produção insuficiente de insulina pelo pâncreas ou por defeitos na ação desse hormônio, ou em ambos os casos resultando em hiperglicemia e distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras (1). O DM atinge 9,1 milhões de brasileiros (2) e impacta profundamente na qualidade de vida, sendo considerado grave problema de saúde pública, com altos custos financeiros e sociais (3). A adesão ao tratamento é de suma importância nessa doença.
A adesão ao tratamento é o grau em que o comportamento de uma pessoa em relação à administração de medicamentos, ao seguimento de dietas e/ou a mudanças no estilo de vida corresponde às recomendações assumidas em um acordo com profissionais de saúde (4). A colaboração mútua promove maior satisfação do paciente, reduz os riscos de não-adesão e melhora os resultados de saúde (5).
Dados prévios do nosso grupo de pesquisa (não publicados), estudou 80 pacientes com DM acompanhados na Unidade de Saúde da Família de Maruípe (USF-2016 a 2017), observou baixa adesão dos pacientes ao tratamento farmacológico, avaliado por dois métodos (6,7) e mostrou que nenhum participante foi considerado aderente. Esse resultado poderia explicar o não controle adequado da glicemia de jejum e hemoglobina glicada. No estudo, também foi encontrado o uso de mais de 5 medicamentos/dia/paciente, considerado polifarmácia e que interfere diretamente na adesão. Portanto, a falta de adesão ao tratamento farmacológico parece impactar na falta de controle adequado desses pacientes a doença, e a educação em saúde pode ser uma das abordagens para melhorar a adesão.
A educação em saúde no DM é fundamental para que o paciente se implique e protagonize seu cuidado, a falta de conhecimento sobre a doença, associada a inadequadas capacitação e integração entre os profissionais de saúde, relaciona-se diretamente ao problema da adesão, sendo necessário que se incorporem nos serviços de saúde novas abordagens capazes de motivar os pacientes conscientizando os mesmos sobre os riscos que a doença pode trazer caso não haja o controle glicêmico (8).
Portanto, diante do exposto é de suma importância a incorporação de novas abordagens educativas para aumentar a adesão dos pacientes com DM ao tratamento farmacológico. A metodologia ativa será a escolhida no projeto, por valorizar o protagonismo de quem aprende, associada a tecnologias digitais para valorização da colaboração.

O objetivo será avaliar e comparar a adesão ao tratamento farmacológico de pacientes com DM atendidos em uma USF de Vitória - ES; antes e após reuniões coletivas com a utilização de material educativo para metodologia ativa.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Elaborar os recursos audiovisuais na forma de vídeos realísticos em português e em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e material impresso em português;
-Avaliar parâmetros clínicos e humanísticos do paciente
- Viabilizar produção científica e aplicar a metodologia no SUS
 

Metodologia:
O estudo será realizado na USFM, Vitória-ES. Serão convidados 50 pacientes para participar das reuniões com metodologia educativa ativa.
Serão incluídos usuários maiores de 18 anos que possuem como comorbidade DM 1 e 2 e outras comorbidades que sejam acompanhados na USFM. Os pacientes surdos serão convidados a participar do estudo para validarem o material que será elaborado em libras, mas poderão participar das reuniões acompanhados por um interprete que compõe a equipe. Pacientes com limitações para expressarem-se individualmente e aqueles com dificuldades de leitura e/ou de compreensão serão excluídos do estudo. O projeto foi submetido Comitê de ética em humanos da UVV.
Ao todo os pacientes participarão de 5 reuniões coletivas. Todas realizadas na USFM.

Os dados antropométricos e socioeconômicos, exames bioquímicos serão coletados no prontuário do paciente. Serão aplicados questionários para avaliar a adesão do paciente ao tratamento farmacológico (6,7), qualidade de vida (9) e conhecimento em relação ao DM (10) e sobre a medicação (11). Todos os dados coletados pela farmacêutica da US que faz parte da equipe.

1ª Reunião
Será realizada atividade na forma de “discurso do sujeito coletivo” para que os participantes compartilhem no grupo suas experiências em relação à doença. Os relatos auxiliarão na finalização dos vídeos e folders que serão utilizados. Após a análise dos parâmetros, os pacientes serão separados de forma homogênea.

2ª a 5ª Reunião
Ocorrerão quinzenalmente, com o auxílio dos materiais desenvolvidos a partir da reunião 1 e discussão coletiva, os temas abordados serão:
1.O que é diabetes? Abordará a fisiopatologia, cuidados com a alimentação, e com o corpo além de complicações do diabetes;
2.Informações gerais sobre uso adequado de medicamentos. Poderá ser utilizado para qualquer doença, pois não será focada nos medicamentos utilizados no diabetes;

3.Informações especificas sobre o tratamento medicamentoso do DM tipo I e II.

Uso de vídeos com simulação de casos clínicos, abordando os problemas identificados que prejudicam a adesão farmacológica. Os participantes deverão criar soluções para que o problema seja resolvido com auxílio da equipe. Um dos vídeos mostrará como confeccionar material para facilitar a adesão ao uso de medicamento, os pacientes serão estimulados a produzir o seu próprio material.

Após 3 e 6 meses serão repetidos os protocolos de coleta de dados para avaliar o impacto nos parâmetros estudados antes e após as reuniões e observar o impacto ao longo do tempo.

Equipe de saúde
Reuniões com a equipe da USFM para que os mesmos se apoderem da metodologia utilizada no projeto e possam utilizar na rotina da US.

Resultados Esperados: Criação de material educativo inclusivo, como vídeos na língua portuguesa e em libras (segunda língua oficial do Brasil). Melhorar a adesão ao tratamento farmacológico e controlar o DM dos pacientes, redução no risco de eventos cardiovasculares e melhora da qualidade de vida. Fortalecer parcerias a área de saúde e da educação (Letras/Linguística). Incorporar nos serviços de saúde novas abordagens capazes de motivar os pacientes conscientizando-os sobre os riscos que o DM pode trazer caso não haja o controle glicêmico.

Referência:
1. WHO. Global Report on Diabetes. Geneva, 2016. 88 p. Disponível em: <http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/204871/1/9789241565257_eng.pdf?.... Acesso em: 19 jun 2016.
2. IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde 2013: percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas – Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2014 181 p. Disponível em: ftp://ftp.ibge.gov.br/PNS/2013/ pns2013.pdf
3. LAZO ROBLEJO, Yaily; LORES DELGADO, Danneris. Rev Cubana Farm, Ciudad de la Habana, v. 45, n. 2, jun. 2011.
4. ADESÃO – WHO. How to develop and implementa national drug policy. WHO Policy, perspectives on Medicines. Geneva, Switzerland, 2003.
5. FIGUEIRA, ALG et al. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto , v. 25, e2863, 2017 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692017000.... access on 09 Apr. 2018. Epub Apr 20, 2017. http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1648.2863.
6. Svarstad B. L, Chewning B. A., Sleath B. L., and Claesson C. Patient Education &Counseling,vol.37,no.2,pp.113–124,1999.
7. MORISKY, D.E.; GREEN, L.W.; LEVINE, D.M.. Med Care. 1986;24(1):67–74.
8. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2015-2016. 2016. 337p. 9. FLECK, M.P.A. et al.. Rev. SaúdePública, São Paulo , v. 34, n.2, p. 178-183, Apr. 2000.
10. Rodrigues, FFL. Conhecimento e atitudes de usuários com diabetes mellitus em uma Unidade Básica Distrital de Saúde de Ribeirão Preto-SP. Dissertação de Mestrado, SP, 2011, 120p
11. RAEHL, C. L.; BOND, C. A.; WOODS, T.; PATRY, R.A.; SLEEPER, R. B. Pharmacotherapy, v. 22, n. 10, p. 1239 – 1248, 2002.

Data de início: 2018-05-15
Prazo (meses): 60

Participantes:

Papelordem decrescente Nome
Coordenador Nazare Souza Bissoli
Acesso à informação
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