Exposição aguda ao cádmio induz lesão endotelial em aorta de ratos: papel do estresse oxidativo, da angiotensina II e dos prostanóides da via da ciclooxigenase

Nome: Jhuli Keli Angeli
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 29/07/2013
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Dalton Valentim Vassallo Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Simao Padilha Examinador Interno
Dalton Valentim Vassallo Orientador
Fausto Edmundo Lima Pereira Examinador Externo
Juliana Hott de Fucio Lizardo Examinador Externo
Lorena Barros Furieri Examinador Externo
Margareth Ribeiro Moyses Examinador Interno

Resumo: O Cadmio (Cd) é um metal tóxico, muito utilizado na indústria e um constante componente de fertilizantes agrícolas, o que tem aumentado à contaminação ambiental por este metal. Possui uma estreita ligação com doenças cardiovasculares, como a aterosclerose e a hipertensão e, além disso, pode induzir um aumento do estresse oxidativo. Um dos principais locais afetados pelo estresse oxidativo é a aorta, o que, consequentemente, aumenta o risco para o desenvolvimento de aterosclerose. No entanto, existem poucos relatos de que demonstrem os efeitos agudos do cádmio na aorta. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos da exposição in vitro ao Cloreto de Cádmio na reatividade vascular e os possíveis mecanismos envolvidos neste processo. Para isso foram utilizados, ratos Wistar machos (250-300g). Os animais foram anestesiados e em seguida, aorta torácica foi removida para dissecação e obtenção de anéis com 3 a 5 mm de comprimento. Anéis controle e anéis previamente incubados com 10&#956;M de Cd foram submetidos à curva concentração-resposta à Fenilefrina (10-10-10-4M, FE). Avaliaram-se os efeitos do Cd incubando: L-NAME (100µM), apocinina (0,3mM), Superóxido Dismutase (SOD, 150 U/ml), catalase (1000 U ml-1), co-incubação (catalase + SOD), enalapril (10 µM), losartan(10 µM), indometacina (10&#956;M), NS 398 (1 &#956;M), SQ 29,548 (1 &#956;M), SC 19,220 (10 &#956;M) e furegrelato (10 &#956;M). Anéis destituídos de endotélio também foram avaliados. Anéis controle e incubados com Cd também foram submetidos à retirada mecânica do endotélio vascular; à curva de acetilcolina (10-11 a 10-5M, Ach) e de nitroprussiato de sódio (10-11 a 10-5M, NPS). Além disso, foram realizadas expressão proteica da isoforma endotelial da óxido nítrico sintase (eNOS), eNOS fosforilada e receptor AT1. Os resultados foram expressos em média ± EPM e diferença da área abaixo da curva (dAUC%) ou a resposta máxima (Emax) foram avaliados pelo método teste-t de Student e quando necessário análise de variância (ANOVA) uma via para medidas repetidas ou completamente randomizadas, seguida pelo teste post-hoc de Tukey. (significância p<0.05).
A Emax à FE foi maior em anéis incubados com Cd quando comparados aos controles (Emax,Ct: 102,5 ± 3,4; Cd: 156,1 ± 4,7). A incubação de L-NAME aumentou a reatividade nos anéis em ambos os grupos, porém em menor magnitude nos anéis incubados com Cd (dAUC% Ct x Ct + L-NAME: 117,0 ± 15,3 vs Cd x Cd + L-NAME: 59,7 ± 11,05); a apocinina reduziu a reatividade em ambos os grupos, porém em maior magnitude em anéis incubados com Cd (dAUC% Ct x Apo: 26,72 ± 9,41 vs Cd x apo + Cd: 62,47 ± 6,13); a catalase não alterou significantemente a resposta vascular na presença do Cd; a SOD e a co-incubação SOD + Catalase reduziram a reatividade em anéis incubados com Cd (Emax, Ct: 90,6 ± 8,1; Cd : 113,6 ± 6,4; SOD + Cd: 72,7 ± 8,4; SOD+ Cd+ Cata 71,46 ± 10,56). O losartan não modificou a resposta á fenilefrina em relação aos valores do controle, porém promoveu acentuada diminuição da resposta nos anéis losartan + Cd em relação aos anéis incubados apenas com Cd (Emax,Ct: 103,2 ± 6,2; LOS+ Cd: 111,4 ± 8,2). O mesmo comportamento foi observado após incubação com enalapril. A indometacina não modificou a resposta á fenilefrina em relação aos valores do controle, mas promoveu acentuada diminuição da resposta nos anéis Indo + Cd em relação aos anéis incubados apenas com Cd (Emax,Ct: 88,4 ± 3,6; Indo + Cd: 76,7 ± 5,8). O mesmo comportamento foi observado com os demais inibidores: NS 398 (Emax,Ct: 92,7 ± 5,4; NS + Cd: 84,0 ± 6,3), SQ 29,548 (Emax,Ct: 97,2 ± 6,8; SQ + Cd 79,0 ± 7,2), SC 19,220 (Emax,Ct 97,2 ± 6,8; SC + Cd 102,9 ± 7,6) furegrelato (Emax,Ct 86,6 ± 6,1; FURE + Cd 70,8 ± 7,3). A remoção endotelial (E-) provocou aumento na resposta à FE em relação aos anéis com endotélio íntegro (E+) em ambos os grupos, mas esse aumento ocorreu em menor magnitude nos anéis (E-) incubados com Cd quando comparados aos E+ incubados com o metal (% dAUC, CT;E+/E- 147,95 ± 21,9 Cd; E+/E- 67,63 ± 19,04). O Cd não alterou a resposta vasodilatadora à ACh, nem a resposta ao NPS. A expressão proteica foi semelhante em ambos os grupos controle e cádmio.
Nossos resultados sugerem que o Cd aumenta a Emax à FE através da ação no endotélio vascular. Além disso, os mecanismos responsáveis nesse processo parecem envolver: aumento da biodisponibilidade de angiotensina II e de produtos da COX; diminuição da liberação induzida de NO através do aumento da produção de radicais livres.

Palavras- Chave: Aorta, ROS, COX-2, Sistema renina angiotensina local.

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