INCIDÊNCIA E PREDITORES DE DOR
CRÔNICA EM PACIENTES APÓS TRAUMATISMO CRANIO ENCEFÁLICO GRAVE: UM
ESTUDO OBSERVACIONAL PROSPECTIVO

Nome: DENISE FRANCO DE ALMEIDA DUARTE

Data de publicação: 16/09/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
FERNANDA MOURA VARGAS DIAS Examinador Externo
FERNANDO ZANELA DA SILVA AREAS Presidente
MICHELINE HENRIQUE ARAUJO DA LUZ KOERICH Examinador Externo

Resumo: A presente pesquisa evidenciou que a cefaleia pós-traumática (PTH) em
pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) grave apresenta prevalência
de 32%, mensurada pelo HIT-6, valor que se mostra inferior às taxas descritas
em TCE leve e moderado, mas consistente com grandes metanálises que
apontam prevalência global de 32,1% em TCE grave (HERRERO BABILONI et
al., 2023; LINDVIG et al., 2024). Esses achados confirmam que a dor crônica é
uma das sequelas mais prevalentes e incapacitantes do TCE, reforçando a
necessidade de atenção contínua ao acompanhamento desses pacientes.

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A análise dos fatores preditivos de cefaleia demonstrou que a presença de
sequelas neurológicas constituiu o preditor mais relevante, aumentando em mais
de dez vezes a chance de dor (OR = 10,3), enquanto a presença de dor em
outras regiões corporais (OR = 4,3) e o politraumatismo (quase 14 vezes maior
chance de impacto severo da dor) também se mostraram fortemente associados
à cronificação da PTH (BARTH, 2021; GLASSER et al., 2023; JARAMILLO et al.,
2016). Esses achados indicam que pacientes com maior comprometimento
funcional e envolvimento de múltiplos sistemas estão sob risco elevado de dor
persistente, refletindo mecanismos de sensibilização central e nociplástica
(GUZMAN et al., 2025).
Achados inesperados, como a associação entre ausência de comorbidades e
maior chance de dor (OR = 3,6), sugerem a complexidade do fenômeno,
possivelmente relacionada a viés de vigilância clínica ou características
específicas da amostra, reforçando a importância da avaliação individualizada
(BARTH et al., 2021). Além disso, variáveis tradicionalmente descritas como
preditoras, como idade, craniectomia e tempo de internação, não atingiram
significância estatística em nossa amostra, mas permanecem clinicamente
relevantes e devem ser investigadas em estudos futuros com maior poder
estatístico (HERRERO BABILONI et al., 2023; BARTH et al., 2021).
O impacto da dor na funcionalidade e na qualidade de vida foi evidente,
corroborando estudos que associam a PTH a déficits cognitivos, distúrbios do
sono, ansiedade e depressão, formando uma síndrome complexa que amplifica
a incapacidade do paciente (ASHINA et al., 2021; BAYLISS; BATENHORST,
2002). A aplicação do HIT-6 mostrou-se pertinente, permitindo a estratificação
de risco, a identificação de pacientes com impacto severo da dor e o
planejamento de intervenções terapêuticas mais eficazes.
Os modelos preditivos logísticos empregados apresentaram boa capacidade
discriminativa (AUC = 0,806; sensibilidade = 84,4%; especificidade = 61,8%),
demonstrando aplicabilidade clínica para identificar subgrupos de pacientes com
maior risco de dor persistente e impacto funcional significativo. A força explicativa
do modelo aplicado ao HIT-6 severo (pseudo-R2 = 42,3%; Hosmer-Lemeshow p

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= 0,158) reforça a robustez interna dos achados e a relevância clínica das
associações identificadas (MCDERMID et al., 2023).
Em síntese, a PTH em TCE grave é um fenômeno multifatorial, associada não
apenas à gravidade do trauma, mas também a sequelas neurológicas, dor
disseminada e politraumatismo, com impacto substancial na qualidade de vida e
na reintegração social e laboral. O manejo eficaz exige abordagem
interdisciplinar e multimodal, incluindo analgesia estruturada, reabilitação física
e cognitiva, intervenções psicossociais e, quando indicado, neuromodulação não
invasiva (CASSIDY et al., 2012; SCHNEIDER et al., 2020; MENDES et al., 2024).
Apesar das limitações amostrais e metodológicas, os achados apresentam
robustez e relevância clínica, oferecendo base sólida para protocolos de cuidado
individualizados e para pesquisas futuras com amostras multicêntricas e
seguimento prolongado (WILLIAMS; MILLER, 2023; GOV.BR, 2022).

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