PARTICIPAÇÃO DA VIA DE SINALIZAÇÃO DA PROTEÍNA CINASE D (PKD1) SOBRE A REGULAÇÃO DA REATIVIDADE VASCULAR E A FUNÇÃO DO CARDIOMIÓCITO VENTRICULAR

Nome: Bruno Barcellos Jacobsen
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 30/04/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Ivanita Stefanon Orientador
Rogério Faustino Ribeiro Júnior Co-orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Simao Padilha Examinador Interno
Aurélia Araújo Fernandes Examinador Externo
Henrique de Azevedo Futuro Neto Examinador Externo
Ivanita Stefanon Orientador
Rogério Faustino Ribeiro Júnior Coorientador
Silvana dos Santos Meyrelles Examinador Interno

Resumo: Os hormônios e neurotransmissores do sistema renina angiotensina aldosterona (SRAA) e do sistema nervoso autônomo (SNA) podem atuar nos vasos e coração, modulando diversas vias de sinalização intracelular. Muito embora as vias de sinalização das enzimas PKA e PKC sejam mais bem estudadas e conhecidas, a via de sinalização da PKD tem sido pouco estudada até o momento. A PKD é uma enzima da familia de serina/treonina-quinases compreendendo três isoformas de PKD homólogas (PKD1/PKC&#956;, PKD2 e PKD3/PKC&#957;) e pertence à superfamília da Ca2+-calmodulina dependente de proteína cinase (CaMK). A isoforma PKD1 é cada vez mais reconhecida como um regulador chave de uma série complexa de processos fisiológicos fundamentais, incluindo: transdução de sinal, proliferação e diferenciação celular, transporte através da membrana, secreção, expressão gênica, utilização de substrato, e regulação da contratilidade miocárdica. Entretanto, pouco se sabe sobre a atuação da PKD1 sobre a reatividade vascular e regulação de cardiomiócitos. Estudo dos Cardiomiócitos - Estudo funcional realizado em cardiomiócitos ventriculares isolados de coelhos brancos da Nova Zelândia foram transfectados por adenovírus denominados de Repórteres Ativadores de Cinase D (DKARs) que mede a atividade da PKD em diferentes locais dos cardiomiócitos (citoplasma, núcleo e mitocôndria). Os DKARs no núcleo apresentaram valores mais elevados ao tratamento feito pela aldosterona, ao passo que quando, analisamos o citoplasma e a mitocôndria, foi observada atuação da angiotensina II de forma mais significativa. Já para análise do transiente de cálcio e contratilidade, foram utilizados cardimiócitos ventriculares de camundongos de linhagem C56BL6, divididos nos grupos: selvagem WT e PKD1 KO (knockout) cardíaco-específicos. O principal resultado foi um aumento a resposta a angiotensina II nas células dos animais PKD WT quando comparado às células sem tratamento (p=0,0049) no citosol. O percentual de encurtamento de cardiomiócitos não foi diferente entre os grupos, nem na presença dos fármacos (angiotensina II, aldosterona e isoproterenol). Estudo da Função Vascular – Foi utilizado ratos Wistar (normotensos) e Wistar espontaneamente hipertensos (SHR). Para avaliar se a diferença da pressão arterial sistólica (PAS) existia, foi feita aferição através do método de pletismografia de cauda (PAS Wistar 125,8 ± 1,2 mmHg e SHR=204,8 ± 4,0* mmHg, p < 0,01). A reatividade vascular foi estudada usando anéis isolados de aorta torácica para avaliação da contração ao estimulo &#945;-adrenérgico (curva concentração resposta a Fenilefrina (10&#8722;10 a 3,5 x10&#8722;3M) e da ativação de receptores AT, usando angiotensina II (10&#8722;10 a 10&#8722;5M), na presença e ausência: endotélio vascular; CID 3,2 &#956;M – um inibidor seletivo e especifico da PKD1; L-NAME 100 &#956;M,
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um inibidor não-seletivo da enzima óxido nítrico sintase (NOS); o composto 1400W 1 &#956;M, um potente inibidor e altamente seletivo da iNOS; N-&#969;-cloridrato-propil-L-arginina 0,5 &#956;M, um inibidor potente e seletivo da nNOS. No grupo Wistar, a resposta contrátil as doses crescentes de fenilefrina não foram modificadas quando a PKD foi inibida com o CID. No grupo SHR, podemos identificar uma redução da resposta contrátil na presença de CID (Fenilefrina 10-3,5 M; CT = 116,6 ± 13,5 vs CID 60 ± 14,6 %, p<0,05). Estes dados sugerem a participação da via da PKD, na resposta contrátil induzida pela fenilefrina, no grupo SHR. A angiotensina II induziu resposta contrátil, de maneira concentração-dependente, nos anéis isolados de aorta de todos os grupos estudados. No grupo Wistar, a resposta contrátil a angiotensina II foi menor durante a incubação com CID, enquanto no grupo SHR, a inibição da PKD, não modificou a resposta contrátil a angiotensina II. No grupo Wistar, a inibição da iNOS, aumentou a resposta contrátil a angiotensina II quando a enzima PKD foi inibida, com o CID. No grupo SHR, podemos verificar que a contratilidade dependente de angiotensina II foi maior na presença do inibidor da iNOS, tanto na presença quanto na ausência da PKD. Estes dados sugerem que, no grupo SHR, a produção de NO, depende da enzima iNOS. Nos animais do grupo SHR, a inibição da nNOS elevou a resposta contrátil a angiotensina II. A inibição da via da PKD, reduziu o aumento da resposta contrátil a angiotensina II, durante a inibição da nNOS. Estes dados sugerem que, no grupo hipertenso, a via de síntese de NO, dependente da enzima nNOS, participa da resposta contrátil induzida pela angiotensina II. Em conclusão, o conjunto dos resultados obtidos neste estudo confirma nossa hipótese da participação da via de sinalização da PKD sobre a regulação aguda das funções de cardiomiócitos ventriculares e sobre a reatividade vascular. Em cardiomiócitos ventriculares, a aldosterona atuou diretamente na PKD nuclear juntamente com as HDACs, importantes reguladores no remodelamento cardíaco. Já no citosol e nas mitocôndrias, a angiotensina II ativou agudamente a via da PKD1. E em relação a reatividade vascular foi observado que nos animais hipertensos, este papel modulador da sinalização da via da PKD sobre as respostas vasculares mediadas pela angiotensina II e fenilefrina, depende da ativação de distintas isoformas da NOS, localizadas no músculo liso vascular e endotélio. No grupo hipertenso, a modulação, via PKD, parece depender mais da participação da nNOS, enquanto no grupo normotenso, das vias da eNOS e iNOS.

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