NEUROBIOLOGIA DO TRANSTORNO DO PÂNICO: O PAPEL DA MATÉRIA CINZENTA PERIAQUEDUTAL VENTROLATERAL NA TEORIA DO ALARME FALSO DE SUFOCAMENTO

Nome: Vinicius Menegardo Nunes
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 22/06/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Luiz Carlos Schenberg Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Leandro José Bertoglio Examinador Externo
Luiz Carlos Schenberg Orientador
Norberto Cysne Coimbra Examinador Externo

Resumo: A principal característica do transtorno do pânico (TP) é a recorrência de ataques de pânico (AP) inesperados, ocorrendo sintomas como sensação de falta de ar, taquicardia, sudorese, tremores, medo de morrer, entre outros. Klein (1993) apresentou a teoria do alarme falso de sufocamento para explicar o TP. Esta teoria propõe a existência de um monitor de sufocamento, que integra vários sinais de asfixia, e que pode ativar um sistema de alarme ao sufocamento quando identificado um potencial sufocamento. Os APs espontâneos ocorreriam em decorrência de uma interpretação fisiológica errônea por este monitor, disparando o sistema de alarme ao sufocamento mesmo em condições normais. Por sua vez, Deakin e Graeff (1991) propuseram que a falta da inibição serotoninérgica nos circuitos neuronais que integram as reações de defesa às ameaças proximais na matéria cinzenta periaquedutal (MCPA) seria a responsável pela ocorrência de APs inesperados. Vários estudos, tanto em humanos quanto em modelos animais, têm apoiado que existe uma convergência entre estas duas proposições. Objetivo: Investigar as respostas de ratos em testes de sufocamento e o papel da MCPA caudoventrolateral (MCPAcvl) na resposta de fuga de ratos em teste de hipercapnia + hipóxia (HH) ambiental. Métodos: Teste de hipóxia (HO) ou teste de HH foram aplicados em ratos Wistar machos. No último grupo, foi realizado neurocirurgia para obter lesões na MCPAcvl. Posteriormente, os ratos foram testados novamente. Respostas comportamentais de salto vertical e levantamento foram registradas. Resultados: Durante o teste HO 25 % dos animais apresentaram resposta de salto vertical, enquanto durante o teste HH 57 % dos animais apresentaram este comportamento. A lesão unilateral na MCPAcvl parece reduzir a resposta de salto vertical, que foi abolida em 80 % dos animais que apresentaram este comportamento inicialmente. A frequência do comportamento de levantamento foi maior no período de habituação do que no período do teste HH e foi maior durante o teste HH em comparação com o teste HO. Conclusão: Assim como outros estudos, estes resultados reforçam a teoria do alarme falso de sufocamento e o papel da MCPA na mediação do TP. Apesar de ser amplamente sugerido o papel principal da MCPA dorsal no AP, nossos dados sugerem que o monitor de sufocamento pode estar localizado especificamente na MCPAcvl. Desta forma, sugerimos que a MCPAcvl é responsável por disparar o AP, enquanto a MCPA dorsal é responsável por mediar as respostas subsequentes.

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