EFEITOS DE 4 DIAS DE SOBRECARGA DE FRUTOSE SOBRE A REATIVIDADE VASCULAR DE RATOS MACHOS E FÊMEAS

Nome: Gilson Brás Broseghini Filho
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 25/06/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Simao Padilha Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Simao Padilha Orientador
Érica Aguiar Moraes Examinador Externo
LEONARDO DOS SANTOS Examinador Interno
Marcelo Perim Baldo Examinador Externo
Suely Gomes de Figueiredo Examinador Interno

Resumo: Com o aumento do consumo de frutose nas últimas décadas, cresceu a preocupação sobre os efeitos desse açúcar no organismo. Já é sabido que o consumo crônico de frutose induz distúrbios metabólicos como a hiperglicemia e dislipidemias, e esses são fortemente correlacionados a alterações na função vascular. Pelo seu potencial lipogênico, a dieta rica em frutose foi adotada pela comunidade científica como modelo de disfunção metabólica para investigação da influência de parâmetros como hipertrigliceridemia, hiperglicemia e resistência à insulina sobre o aparecimento de doenças cardiovasculares. Com isso, emergiu a necessidade de determinar se a frutose, de per si, teria sua parcela de responsabilidade sobre as alterações vasculares observadas nesse modelo, independentemente do cenário metabólico que ela impõe.
A fim de caminhar em direção à resposta se as alterações vasculares precedem a dislipidemia, hiperglicemia e resistência à insulina induzidas pela frutose, estabelecer o papel do endotélio e do tecido adiposo perivascular na modulação vascular após a suplementação com frutose e, ainda, definir se as possíveis alterações vasculares precoces induzidas dependem do sexo, nós suplementamos ratos, de ambos os sexos, por 4 dias com solução frutose à 10% via água de beber para avaliar a reatividade vascular de aortas sem o cenário de síndrome metabólica consolidado pelo uso prolongado de frutose.
Nossos dados revelaram que o consumo de frutose por 4 dias promove redução da resposta vasoconstritora à fenilefrina em aortas de fêmeas, quando na ausência do tecido adiposo perivascular (rmax fêmeas CT = 116±2 Vs FR = 90±2*, %KCl, *=p<0,05 vs CT), ao passo que nessas condições não há diferença entre os machos, suplementados ou não com frutose (rmax machos CT = 85±3 Vs FR = 81±3, %KCl). Mostramos também que os efeitos da frutose são diferentes entre os sexos, recrutando o endotélio para sua ação sobre a aorta de fêmeas e o tecido adiposo perivascular no que diz respeito a redução de reatividade vascular observada nos machos (rmax machos+TAP CT = 92±4 Vs FR = 69±5*, %KCl, *=p<0,05 vs CT). Ainda, os machos se mostraram mais suscetíveis do que as fêmeas às alterações metabólicas induzidas pelo consumo de frutose, pois, apesar da glicemia de jejum não ser alterada em ambos os sexos, a resistência à insulina e parâmetros séricos como o VLDL (machos CT = 19±3 vs FR = 37±7*, mg/dL, *=p<0,05 vs CT) e triglicerídeos (machos CT = 98±16 vs FR = 188±33*, mg/dL, *=p<0,05 vs CT) estavam elevados naquele grupo.
Os dados determinam que o consumo de frutose por 4 dias altera a resposta vasoconstritora à fenilefrina em aortas de maneira diferente entre os sexos, recrutando o endotélio para sua ação sobre a aorta de fêmeas e o TAP no que diz respeito a redução de reatividade vascular observada nos machos. Os resultados obtidos no presente trabalho demonstram a importância dessas variáveis no que se refere às alterações vasculares induzidas pela suplementação com frutose e estimula novos estudos que explorarão as diferenças entre os sexos no que tange as mudanças na função vascular, tendo como foco a modulação endotelial e a participação do tecido adiposo perivascular nas alterações vasculares induzidas pela frutose.

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