EFEITOS DA EXPOSIÇÃO AO MERCÚRIO NA FASE PRÉ-HIPERTENSIVA SOBRE A REATIVIDADE PRESSÓRICA DE RATOS ESPONTANEAMENTE HIPERTENSOS.

Nome: Graziele Zandominegue Ronchetti
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 18/10/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Simao Padilha Co-orientador
Dalton Valentim Vassallo Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Dalton Valentim Vassallo Orientador
LEONARDO DOS SANTOS Examinador Interno
Mirian Fioresi Examinador Externo

Resumo: O mercúrio (Hg) é um metal poluente tóxico para o organismo. Estudos mostram que a exposição ao Hg produz efeitos deletérios importantes no sistema cardiovascular como disfunção endotelial, aumento na produção de espécies reativas de oxigênio, entre outros. Consequentemente também pode causar complicações clínicas, tal qual a hipertensão arterial. O presente estudo teve como objetivo Investigar os efeitos da exposição ao mercúrio na fase pré-hipertensiva sobre a reatividade pressórica de ratos espontaneamente hipertensos. Wistar e SHR machos com 4 semanas foram aleatoriamente divididos em 4 grupos: Wistar não expostos ao Hg (Wistar Ct), Wistar expostos ao Hg (Wistar Hg); SHR não expostos ao metal (SHR Ct) e SHR expostos ao Hg (SHR Hg) por 30 dias. Antes e durante a exposição os animais dos 4 grupos foram submetidos à medição de pressão arterial pela pletismografia da cauda. Ao final da exposição os animais foram submetidos à cirurgia de cateterização da veia jugular direita e artéria carótida direita, para administração dos fármacos: L-NAME, TEMPOL e LOSARTAN, bem como mensuração dos parâmetros hemodinâmicos: pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), que aconteciam após a normalização do registro inicial e à normalização após 30 minutos da administração dos fármacos. Mediante ao agonista α1 adrenérgico fenilefrina, duas curvas de reatividade foram realizadas, também antes e depois das drogas. Também foram avaliados o nitrito e nitrato plasmático, a atividade da Enzima Conversora de Angiotensina (ECA) no coração e TBARS (substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico) na aorta. Em SHR Ct, o aumento de PAS por medida indireta foi evidenciado a partir da segunda semana. No entanto, em SHR expostos ao Hg esse aumento foi acelerado, sendo sustentado até o final do período de exposição, em que a PAS era de 132 ± 1,5 mmHg e 135 ± 3,0 mmHg 143 ± 2,3 mmHg e 166 ± 3,5 mmHg, respectivamente para o grupo Wistar Ct e Hg e SHR Ct e Hg, sugerindo que o metal pode estar envolvido no aumento de PAS no grupo SHR Hg. A administração de L-NAME na medida de pressão direta aumentou a PAS e a PAD em todos os grupos do estudo, mas o aumento foi menor em SHR expostos ao Hg, sugerindo que a exposição ao metal está relacionada com a diminuição da biodisponibilidade de NO. A diminuição de nitrito e nitrato no grupo SHR Hg (25% em relação ao SHR Ct) também sugeriu que o mercúrio reduz a biodisponibilidade do NO neste grupo, contudo não foram observadas alterações nos 19 animais Wistar expostos ou não ao metal. Após a administração de TEMPOL, observou-se a dimininuição na PAS do grupo SHR Hg e aumento de peroxidação lipídica. Em relação ao LOSARTAN, notou-se que após a administração do mesmo houve diminuição de PAS e PAD em todos os grupos com menor magnitude na PAS de animais expostos ao Hg. Também foi possivel notar diminuição de atividade da ECA no grupo SHR Hg sugerindo que que o metal diminui a atividade da enzima, o que culmina em menor conversão de angiotensina I para angiotensina II que por sua vez tem interferência direta na resposta dos receptores AT1. Em relação à reatividade pressórica o Hg não interferiu na resposta à fenilefrina dos grupos, porém quando o L-NAME foi administrado observou-se um aumento da resposta à reatividade apenas nos grupo SHR Ct na PAS, sugerindo que o Hg pode diminuir a biodisponibilidade de NO em SHR jovens. A mediação de EROS foi avaliada novamente com a administração de TEMPOL, que não foi capaz de interferir na reatividade dos grupos, e na administração de LOSARTAN não houve interferência na resposta à reatividade em nenhum dos grupos. Esses resultados fornecem evidências de que os efeitos da exposição crônica ao mercúrio nas concentrações estudadas, podem desencadear mecanismos para acelerar o desenvolvimento da hipertensão, relacionados principalmente com a diminuição da biodisponibilidade de NO e aumento de estresse oxidativo.

Acesso ao documento

Acesso à informação
Transparência Pública

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Marechal Campos, 1468 - Bonfim, Vitória - ES | CEP 29047-105